terça-feira, 15 de março de 2011

Negócios em Angola: Angola na Você S/A

Recebi recentemente esta matéria que saiu na revista brasileira Você S/A e gostei muito. Vale a leitura!

Beijos e abraços!
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Angola vale a pena

Os brasileiros expatriados para Angola têm algo a mais que seus antecessores: salários muito atraentes e um início de carreira internacional
Miriam Kênia (undefined) 01/10/2008
Crédito: Greg Salibian












Cláudio Noronha, 36 anos, superintendente da Camargo Corrêa: projeto em Luanda.


Ser expatriado na África mudou com a nova leva de empresas - ou com os novos projetos - brasileiras que está chegando agora ao continente. Dessa vez, é diferente de quem foi para lá na década de 70, quando Petrobras e Odebrecht, para citar algumas, se estabeleceram na região. Na época, devido à falta de gente, as empresas incentivavam seus executivos a cruzar o Atlântico oferecendo altos salários e benefícios. Era uma atuação pontual, sem perspectiva profissional. “Havia até um receio de ser esquecido pela empresa, porque eram projetos sem grande repercussão”, diz Mariane Montana, da Russell Reynolds Associates, consultoria de recrutamento de executivos, de São Paulo. Hoje, o deslocamento vale a pena. “O executivo ganha visibilidade. Passa a ser considerado um profissional com visão estratégica globalizada, o que é valorizado no mundo corporativo”, completa Mariane. A consultora já atuou em três contratações de executivos para a África, duas para empresas nacionais e uma para estrangeira, que se mudaram para Angola neste ano. “Este é um dos poucos casos em que falar português é uma vantagem na disputa internacional por vaga”, diz a consultora.

O continente passou a ser incluído no roteiro das carreiras internacionais. “Há muitos investimentos e projetos para o crescimento profissional acontecendo, principalmente nas áreas de infra-estrutura e petróleo”, diz o professor Álvaro Cyrino, da Fundação Dom Cabral (FDC), escola mineira de educação executiva, autor de um estudo sobre a internacionalização das empresas brasileiras. Nos últimos dois anos, as multinacionais brasileiras como Odebrecht, Vale e Petrobras intensificaram seus projetos na região, acompanhando a tendência de grandes investidores mundiais. A Petrobras está investindo cerca de 1,5 bilhão de dólares. A Camargo Corrêa tem contratos que beiram os 700 milhões de dólares e a Odebrecht está investindo cerca de 400 milhões de dólares só em Angola.

“Há chance de crescimento dentro do próprio projeto de expatriação, porque as companhias estão diversificando a atuação por lá”, diz Guilherme Dale, sócio da Spencer Stuart Consultores Gerenciais, em São Paulo. E, para se candidatar às vagas, não é pré-requisito ter experiência internacional, mas de preferência já ter atuado em locais com condições precárias. “A África pode ser a porta de entrada para a carreira no exterior.”

ANGOLA ATRAI MAIS
A estimativa é de que as companhias brasileiras sejam responsáveis por 10% do Produto Interno Bruto angolano, perdendo apenas para a China. A economia do país cresceu 18% no ano passado e mantém o ritmo. “Durante a guerra civil, até 2002, o país ficou sem investimentos. Agora é impulsionado pelo programa de reconstrução e pela extração de petróleo”, explica Amauri Pinha, de 44 anos, diretor da Camargo Corrêa em Angola, que comanda uma equipe com 478 expatriados, sendo 28 executivos (diretores, superintendentes e gerentes). O paulista, que está há três anos morando em Luanda, a capital angolana, ainda sofre com as dificuldades — como fazer compras em supermercados e ligações telefônicas —, mas está bem otimista com os negócios do setor imobiliário de alto padrão. O faturamento, estima, deve crescer em torno de 30% a 40% neste ano e no próximo. E, para garantir a expansão, vai precisar contratar. O alvo são profissionais com mais de dez anos de experiência. A Camargo Corrêa também está partindo para a concorrência.

Foi dessa forma que o engenheiro mecânico Cláudio Noronha, de 36 anos, assumiu o cargo de superintendente de operações em Luanda há oito meses, levando mulher e duas filhas, de 11 e 2 anos. Ele deixou o trabalho na concorrente Construtora OAS, de São Paulo. “O que pesou mais foi a chance de tocar um projeto desde o começo”, diz. Esse é o primeiro empreendimento imobiliário da construtora em Angola. Antes de ir para a OAS, o engenheiro já havia passado pela Camargo Corrêa. “Fui trainee e fiquei cinco anos na empresa, até 2000.”

Angola lidera, mas não é o único destino. A gaúcha Marcopolo, que fabrica ônibus na África do Sul, agora vai investir 50 milhões de dólares em uma nova unidade no Egito. Mas ainda não deve fazer novas contrações. “O modelo está sendo definido e devemos expatriar executivos da própria empresa”, diz Osmar Piola, gerente de RH da empresa.

TRABALHO TEMPORÁRIO
Expatriar executivos não é para qualquer um. Os mais cotados para a África, como diretor de projetos, podem ter um aumento de até 100% no salário, que fica em torno de 30 000 a 40 000 reais. Para os gerentes, a média é de 15 000 a 20 000 reais. Fora o pacote de expatriação, que inclui moradia, escola dos filhos e serviços básicos — tudo na conta da firma. Em Luanda, por exemplo, o custo de vida é até 60% mais alto do que na capital paulista, o que é absorvido pelas contas básicas pagas pela companhia. “Para lugares mais remotos, em cidades do interior, a remuneração pode ficar ainda mais atrativa”, diz Mariane Montana, da Russell Reynolds.

Esse é um dos motivos pelos quais as empresas de prestação de serviço, de menor porte, optam por manter funcionários temporários na África. “Os consultores ficam cerca de três semanas na capital angolana e voltam. Eles trabalham à distancia”, afirma Fanny Schwarz, diretora da Symnetics, que presta consultoria de gestão empresarial para 12 companhias em Luanda. A mesma estratégia foi adotada pela Paradigma, especialista em comércio eletrônico, com sede na capital paulista. Desde o ano passado, o diretor de novos negócios da empresa, o administrador Marcelo Villa Nova, de 29 anos, incluiu em sua rotina passar temporadas em Angola com uma equipe de cinco funcionários. Marcelo foi escolhido pela empresa devido à sua experiência em tecnologia para o mercado de capitais — ele atua no projeto do pregão eletrônico da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) — e, principalmente, à boa capacidade de lidar com pressão. “A equipe já ficou três dias sem poder sair do hotel, por causa das chuvas”, diz a presidente da Paradigma, Andrea Bou Boudeville.

Fonte: Você S/A / Desenvolva sua carreira / Edição 0124 / Mercado - África

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